quinta-feira, 13 de outubro de 2011
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
ESPECIAL CÍRIO DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ - CELEBRAÇÕES
Descida da Imagem
No sábado, logo após a chegada da Motoromaria, acontece uma das cerimônias mais esperadas da quadra nazarena: é quando a imagem original de Nossa Senhora de Nazaré, encontrada por Plácido de Souza em 1700, desce do Glória sobre altar-mor da Basílica Santuário, para ficar mais próxima dos fiéis. Todos os anos, ver de perto a pequena imagem de 28 centímetros, emociona os milhares de peregrinos que chegam de todos os cantos para prestar homenagens à Rainha da Amazônia.
A imagem, que fica recolhida no Glória durante todo o ano, é então colocada em um nicho no presbitério, no dia anterior à procissão do Círio. Isto acontece sempre ao meio dia, depois que a motoromaria chega ao colégio Gentil Bittencourt.
Esse ritual acontece desde 1969 e as primeiras vezes ocorriam de forma simples e a portas fechadas, sempre às 23 horas da véspera do Círio. Só a partir de 1992 é que os romeiros puderam acompanhar a descida da imagem com emocionante cerimônia embalada por cânticos e orações.
A imagem, que fica recolhida no Glória durante todo o ano, é então colocada em um nicho no presbitério, no dia anterior à procissão do Círio. Isto acontece sempre ao meio dia, depois que a motoromaria chega ao colégio Gentil Bittencourt.
Esse ritual acontece desde 1969 e as primeiras vezes ocorriam de forma simples e a portas fechadas, sempre às 23 horas da véspera do Círio. Só a partir de 1992 é que os romeiros puderam acompanhar a descida da imagem com emocionante cerimônia embalada por cânticos e orações.
Subida da Imagem
Transcorridos 16 dias junto aos romeiros, é hora da imagem original de Nossa Senhora de Nazaré retornar ao Glória, sobre o altar-mor da Basílica Santuário. A cerimônia acontece pouco antes da Missa do Recírio, às 6 horas da segunda-feira.
É emocionante! Os milhares de fiéis, ali reunidos, vêem o arcebispo de Belém caminhar até o nicho, retirar a pequena imagem e erguê-la para os abençoar. Ela é reconduzida então à sua redoma de cristal, lá permanecendo entre os anjos esculpidos que lhe fazem companhia até o próximo Círio.
Encerramento da Festa
Essa celebração começou a ser realizada em 1982, com a inauguração da Praça Santuário, em frente à Basílica de Nazaré. A missa é celebrada no quarto domingo de outubro, às 20h, no Altar Monumento da Praça Santuário. Logo após a missa, na Barraca da Santa, é realizada a solenidade de encerramento da festividade, quando os Diretores da Festa recebem diplomas e medalhas em cerimônia simples. O encerramento da Festa também é marcado por show pirotécnico de fogos de artifícios.
Incineração das Súplicas
É o momento em que todos os pedidos dedicados a Nossa Senhora de Nazaré são recolhidos e queimados durante a celebração da missa do Recírio, que ocorre na Praça Santuário. A Incineração das Súplicas começou em 1994, com uma oração simples, que era realizada na lateral da Basílica, em frente à Sala dos Milagres.
sábado, 8 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
ESPECIAL CÍRIO DE NOSSA SENHORA DE NAZARÉ - ROMARIAS E PROCISSÕES PARTE II
Cicloromaria
A Cicloromaria é a procissão mais nova de todas, surgiu em 2004, após pedido da Federação dos Ciclistas do Pará e Associação dos Ciclistas de Icoaraci. Acontece sempre no sábado posterior à Festa do Círio, às 8 horas da manhã. Todos os anos, o trajeto a ser percorrido é diferente, sendo definido dois meses antes do Círio.
Romaria da Juventude
A Romaria da Juventude surgiu em 2001. Ela é, geralmente, realizada na tarde do sábado posterior ao Círio. Essa é a vez dos jovens homenagearem a Virgem de Nazaré. A procissão é animada por um Trio Elétrico. Este é o momento em que várias comunidades jovens se encontram, fazendo da Romaria da Juventude uma das mais animadas. A organização desta procissão é feita pela Basílica Santuário de Nazaré e Catequeses das Paróquias. A Romaria da Juventude é considerada uma forma de integrar todas as paróquias em torno da realização da festa.
Romaria das Crianças
No primeiro domingo após o Círio de Nazaré, é a vez das crianças irem às ruas prestar suas homenagens a Nossa Senhora. A Romaria, criada com o objetivo de construir e fortalecer a devoção mariana entre os pequenos, começa às 8 horas da manhã, saindo da Praça Santuário e percorrendo várias ruas do bairro de Nazaré, em Belém.
O primeiro Círio das Crianças foi realizado em 1990. A procissão já é considerada como a terceira maior das 11 procissões que são realizadas durante a Festa Nazarena.
Além da Berlinda que conduz a imagem de Nossa Senhora de Nazaré, durante a Romaria das Crianças há ainda o carro dos milagres e os carros dos anjos.
Procissão da Festa
A Procissão da Festa é a terceira romaria mais antiga, depois do Círio e da Trasladação. O primeiro registro dessa procissão é do ano de 1881. A procissão é acompanhada pela Diretoria da Festa de Nazaré e as comunidades que fazem parte da Basílica Santuário. É a romaria realizada na manhã do segundo domingo após o Círio, saindo às 8 horas da Praça Santuário, depois da celebração de uma missa. A Procissão da Festa é organizada pelas próprias comunidades ligadas à Basílica e percorre as ruas do Bairro de Nazaré, num trajeto de 2,8 km. Todo ano, uma das comunidades é prestigiada pela procissão. O percurso é definido pelo pároco da Basílica e de acordo com a localidade da comunidade contemplada.
Recírio
O Recírio é o momento que encerra toda a Festividade Nazarena. É quando os paraenses se despedem da Rainha da Amazônia. A procissão do Recírio acontece 15 dias após a grande procissão de domingo, numa segunda-feira.
A procissão começa após uma missa campal, realizada na Praça Santuário às 6h. Às 07h, a imagem da Virgem de Nazaré é conduzida num percurso de 250 metros, em direção à Capela do Colégio Gentil Bittencourt. Durante o trajeto, a procissão faz o contorno na Praça Santuário, segue pelas avenidas Generalíssimo Deodoro, Nazaré e Magalhães Barata até chegar ao Colégio Gentil. Enquanto passa, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é saudada e aclamada pelos paraenses que acompanham a caminhada ou a assistem pelas janelas de suas casas.
A despedida é sempre emocionante. Entre muitas orações e canções, os fiéis prestam suas últimas homenagens à Santinha. Em grande estilo, o Recírio encerra o Círio de Nazaré marcado por muita fé, fogos de artifício e pela espera da Festa no próximo ano.
A procissão começa após uma missa campal, realizada na Praça Santuário às 6h. Às 07h, a imagem da Virgem de Nazaré é conduzida num percurso de 250 metros, em direção à Capela do Colégio Gentil Bittencourt. Durante o trajeto, a procissão faz o contorno na Praça Santuário, segue pelas avenidas Generalíssimo Deodoro, Nazaré e Magalhães Barata até chegar ao Colégio Gentil. Enquanto passa, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré é saudada e aclamada pelos paraenses que acompanham a caminhada ou a assistem pelas janelas de suas casas.
A despedida é sempre emocionante. Entre muitas orações e canções, os fiéis prestam suas últimas homenagens à Santinha. Em grande estilo, o Recírio encerra o Círio de Nazaré marcado por muita fé, fogos de artifício e pela espera da Festa no próximo ano.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Especial Círio de Nossa Senhora de Nazeré - Romarias, Procissões Parte I
Transporte dos Carros para a CDP
Este é o momento em que os treze carros das promessas utilizados na grande Festa do Círio são levados da Estação dos Carros, que fica ao lado do Centro Social de Nazaré, para os galpões da Companhia Docas do Pará (CDP), de onde saem no domingo. O percurso é feito durante a noite, em um dos dias da semana que antecede o Círio, e começa no Arraial de Nazaré, passa pelas travessas 14 de Março e Antônio Barreto, avenidas Doca de Souza Franco e Marechal Hermes até o armazém da CDP.
O trajeto é feito pela Diretoria da Festa, Guarda de Nazaré, promesseiros, representantes de colégios, motociclistas e Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel). De suas casas, devotos acompanham a caminhada. O momento também é prestigiado com fogos de artifício. A Berlinda não acompanha esse trajeto.
O trajeto é feito pela Diretoria da Festa, Guarda de Nazaré, promesseiros, representantes de colégios, motociclistas e Companhia de Transportes do Município de Belém (CTBel). De suas casas, devotos acompanham a caminhada. O momento também é prestigiado com fogos de artifício. A Berlinda não acompanha esse trajeto.
Traslado para Ananindeua
Na sexta-feira que antecede o Círio, acontece o traslado da imagem peregrina para os municípios de Ananindeua e Marituba, um percurso de 48,5 quilômetros, que começa ao meio-dia e termina às 20 horas. O Traslado para Ananindeua, como ficou conhecida esta procissão, é realizado desde 1992. Nos dois primeiros anos, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré era levada em um cibório, uma armação em metal constituída de um teto arqueado (abóbada), sustentado por quatro colunas retorcidas. Hoje, a imagem peregrina é levada da Basílica Santuário de Nazaré em uma réplica da Berlinda em cima de um carro da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A mudança ocorreu por conta da necessidade de proteger a imagem, que no cibório ficava exposta ao vento, sol e chuva.
O percurso inicia na Basílica Santuário e passa pelas avenidas Nazaré, Magalhães Barata, Almirante Barroso e BR-316. Depois, segue pelos bairros Cidade Nova e Paar, em Ananindeua, e entrada do município de Marituba, até chegar a Igreja de Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua.
Lá a imagem fica em um palanque armado em frente à Igreja Matriz, onde passa a noite em vigília. Na manhã de sábado, a imagem é levada pelos devotos na romaria rodoviária.
O percurso inicia na Basílica Santuário e passa pelas avenidas Nazaré, Magalhães Barata, Almirante Barroso e BR-316. Depois, segue pelos bairros Cidade Nova e Paar, em Ananindeua, e entrada do município de Marituba, até chegar a Igreja de Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua.
Lá a imagem fica em um palanque armado em frente à Igreja Matriz, onde passa a noite em vigília. Na manhã de sábado, a imagem é levada pelos devotos na romaria rodoviária.
Romaria Rodoviária
A Romaria Rodoviária foi criada pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e acontece desde 1989. Realizada no sábado, véspera do Círio, a romaria que leva a imagem peregrina da Matriz de Nossa Senhora das Graças, em Ananindeua, para o distrito de Icoaraci é precedida de uma missa às 5h. Há sete anos, essa procissão passou a ser organizada pela Diretoria da Festa com a colaboração da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Prefeitura de Ananindeua e outros órgãos públicos.
Após a celebração religiosa na Igreja Matriz, os motoristas começam o trajeto pela BR-316 até o Entroncamento, indo pela Rodovia Augusto Montenegro até Icoaraci, onde passam pelas ruas 8 de Setembro e São Cristóvão, parando no trapiche do distrito.
Depois de um percurso de 24 quilômetros, a procissão chega a Icoaraci por volta das 8h, onde uma nova missa é celebrada. Às 9h, a imagem é colocada numa embarcação para continuar a viagem, rumo à Praça Pedro Teixeira, dando início à Romaria Fluvial.
Após a celebração religiosa na Igreja Matriz, os motoristas começam o trajeto pela BR-316 até o Entroncamento, indo pela Rodovia Augusto Montenegro até Icoaraci, onde passam pelas ruas 8 de Setembro e São Cristóvão, parando no trapiche do distrito.
Depois de um percurso de 24 quilômetros, a procissão chega a Icoaraci por volta das 8h, onde uma nova missa é celebrada. Às 9h, a imagem é colocada numa embarcação para continuar a viagem, rumo à Praça Pedro Teixeira, dando início à Romaria Fluvial.
Romaria Fluvial
Conhecida como "Círio das Águas", a Romaria Fluvial também é realizada no sábado, véspera do Círio de Nazaré. O percurso de 10 milhas até a Praça Pedro Teixeira começa às 9h, no trapiche de Icoaraci. A parada é em Belém na Escadinha do Cais do Porto (ao lado da Estação das Docas), por volta das 11h.
Quando chega à Escadinha, a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é recebida com honras de Chefe de Estado, pela Polícia Militar, em Belém. A ocasião se repete desde 1999, motivada pela Lei Estadual nº 4.371, de 15 de dezembro de 1971, que proclamou a Virgem de Nazaré, Padroeira do Pará, Rainha da Amazônia e merecedora dessa grande homenagem.
Criada em 8 de outubro de 1986, a primeira Romaria Fluvial foi acompanhada por cerca de 30 barcos e marcada por imensa emoção, no momento em que uma grande auréola luminosa surgiu no céu contornando o sol. O fenômeno foi considerado um sinal de benção e aprovação da Virgem de Nazaré àquela manifestação de fé dos devotos.
Para a romaria nas águas da baía do Guajará, foi confeccionada mais uma réplica da berlinda, usada até 2002. No ano seguinte, ela foi substituída por uma cúpula de vidro que é usada até hoje. A cúpula permite maior visibilidade da imagem pelos ribeirinhos e fiéis que a acompanham. Atualmente, mais de mil embarcações, entre barcos, lanchas, balsas e veleiros participam do "Círio das Águas".
Quando chega à Escadinha, a Imagem de Nossa Senhora de Nazaré é recebida com honras de Chefe de Estado, pela Polícia Militar, em Belém. A ocasião se repete desde 1999, motivada pela Lei Estadual nº 4.371, de 15 de dezembro de 1971, que proclamou a Virgem de Nazaré, Padroeira do Pará, Rainha da Amazônia e merecedora dessa grande homenagem.
Criada em 8 de outubro de 1986, a primeira Romaria Fluvial foi acompanhada por cerca de 30 barcos e marcada por imensa emoção, no momento em que uma grande auréola luminosa surgiu no céu contornando o sol. O fenômeno foi considerado um sinal de benção e aprovação da Virgem de Nazaré àquela manifestação de fé dos devotos.
Para a romaria nas águas da baía do Guajará, foi confeccionada mais uma réplica da berlinda, usada até 2002. No ano seguinte, ela foi substituída por uma cúpula de vidro que é usada até hoje. A cúpula permite maior visibilidade da imagem pelos ribeirinhos e fiéis que a acompanham. Atualmente, mais de mil embarcações, entre barcos, lanchas, balsas e veleiros participam do "Círio das Águas".
Moto-romaria
Após a chegada da Romaria Fluvial na Escadinha do Cais do Porto, em Belém, os romeiros se integram aos motociclistas que aguardam a imagem para conduzi-la na Motoromaria, que surgiu no Círio de 1990. A iniciativa foi da Federação Paraense de Motociclismo, que decidiu também prestar a sua homenagem, acompanhando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré até o Colégio Gentil Bittencourt.
Num percurso de 2,6 quilômetros, centenas de motociclistas, ciclistas e outros veículos fazem a escolta da imagem até o colégio. Ao longo do trajeto, que compreende as avenidas Presidente Vargas, Serzedêlo Corrêa, Gentil Bittencourt, travessa 14 de Março e avenida Magalhães Barata, muitas homenagens são feitas à Rainha da Amazônia.
Num percurso de 2,6 quilômetros, centenas de motociclistas, ciclistas e outros veículos fazem a escolta da imagem até o colégio. Ao longo do trajeto, que compreende as avenidas Presidente Vargas, Serzedêlo Corrêa, Gentil Bittencourt, travessa 14 de Março e avenida Magalhães Barata, muitas homenagens são feitas à Rainha da Amazônia.
Trasladação
A Trasladação é realizada na noite do sábado que antecede o Círio de Nazaré. Depois de uma missa às 17h, no Colégio Gentil Bittencourt, os fiéis se dirigem em procissão à Igreja da Sé, fazendo o mesmo trajeto da procissão do domingo, mas no sentido inverso. Diferente do que ocorre no Círio, onde vários carros de promessas e pelotões acompanham a procissão, na Trasladação há apenas a berlinda em destaque.
O fato da procissão acontecer à noite torna o momento ainda mais bonito, pois, além de a cidade toda se enfeitar e se iluminar para saudar a Virgem de Nazaré, é possível constatar que a Trasladação é uma verdadeira procissão à luz de velas levadas pelos devotos durante todo o percurso.
Um dos momentos mais emocionantes da procissão ocorre durante a homenagem dos estivadores e arrumadores, que soltam fogos de artifício em honra à Virgem de Nazaré, num verdadeiro espetáculo de cores e luzes.
A cada ano que passa, o número de fiéis que acompanham a Trasladação é maior. Nos últimos anos, a corda atrelada à berlinda tem sido tão disputada quanto na grande procissão de domingo.
O fato da procissão acontecer à noite torna o momento ainda mais bonito, pois, além de a cidade toda se enfeitar e se iluminar para saudar a Virgem de Nazaré, é possível constatar que a Trasladação é uma verdadeira procissão à luz de velas levadas pelos devotos durante todo o percurso.
Um dos momentos mais emocionantes da procissão ocorre durante a homenagem dos estivadores e arrumadores, que soltam fogos de artifício em honra à Virgem de Nazaré, num verdadeiro espetáculo de cores e luzes.
A cada ano que passa, o número de fiéis que acompanham a Trasladação é maior. Nos últimos anos, a corda atrelada à berlinda tem sido tão disputada quanto na grande procissão de domingo.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Especial Círio de Nossa Senhora de Nazaré
Nossa História
Alguns estudiosos estão considerando o Círio de Nazaré em Belém do Pará, como sendo a maior manifestação religiosa do Planeta. Consegue congregar dois milhões de pessoas em uma só manhã.
Lendas e histórias - Em Portugal
Segundo a interessante Lenda da Nazaré a antiquíssima imagem da Virgem teve origem em Nazaré, na Galiléia, e representa a Virgem Maria sentada, de cor escura, tendo no seu colo o Menino Jesus, o qual amamenta. A estátua, entalhada em madeira e identificada como original dos primeiros séculos do Cristianismo, percorreu a cristandade desde Nazaré (Israel) passando por Mérida (Espanha) até surgir no ano de 711 em Nazaré (Portugal). No século XII, se tornou símbolo de fé do cavaleiro D. Fuas Roupinho, o qual mandou erigir a Capela da Memória em agradecimento à Virgem (1182), após milagrosamente ter se salvo de um acidente fatal quando, montado a cavalo, perseguia um cervo. A capela foi erigida sobre uma gruta onde estava a sagrada imagem. Em 1377 o rei D. Fernando (1367-1383) fundou um templo maior, o Santuário de Nossa Senhora da Nazaré, para onde transferiu a imagem. Desde então, a 8 de Setembro, anualmente, os portugueses se reúnem no Sítio da Nazaré, para reverenciar Nossa Senhora da Nazaré. A principal romaria, o Círio da Prata Grande, vem anualmente do concelho de Mafra e transporta, numa berlinda, uma imagem de Nossa Senhora da Nazaré que não é uma réplica da Verdadeira imagem, pois esta está sentada e a imagem do Círio está de pé, existindo ainda outras diferenças. A imagem de Nossa Senhora da Nazaré venerada no Brasil, em Belém, é semelhante à imagem de Nossa Senhora da Nazaré do principal Círio português.
No Brasil
A introdução da devoção à Senhora da Nazaré, no Pará, foi feita pelos padres jesuítas, no século XVII. Embora o culto tenha se iniciado na povoação da Vigia, a tradição mais conhecida relata que, em 1700, Plácido, um caboclo, descendente de portugueses e de índios, andava pelas imediações do igarapé Murutucu (área correspondente, hoje, aos fundos da Basílica) quando encontrou uma pequena estátua de Nossa Senhora da Nazaré. Essa imagem, réplica de outra que se encontra em Portugal, entalhada em madeira com aproximadamente 28 cm de altura, encontrava-se entre pedras lodosas e bastante deteriorada pelo tempo e pelos elementos. Plácido levou a imagem consigo para casa, onde tendo-a limpado, improvisou um altar. De acordo com a tradição local, a imagem retornou inexplicavelmente ao lugar do achado por diversas ocasiões até que, interpretando o fato como um sinal divino, o caboclo decidiu erguer às próprias custas uma pequena ermida no local, como sinal de devoção. A divulgação do milagre da imagem santa atraiu a atenção dos habitantes da região, que passaram a acorrer à capela, para render-lhe homenagem. A atenção do então governador da Capitania, Francisco da Silva Coutinho, também foi atraída à época, tendo este determinado a remoção da imagem para a Capela do Palácio da Cidade, em Belém. Não obstante ser mantida sob a guarda do Palácio, a imagem novamente desapareceu, para ressurgir em seu nicho na capela. Desse modo, a devoção adquiriu caráter oficial, erguendo-se atualmente, no lugar da primitiva ermida, uma capela, hoje a suntuosa Basílica de Nossa Senhora de Nazaré. Em 1773 o bispo do Pará, Dom João Evangelista, colocou a cidade de Belém sob a proteção de Nossa Senhora de Nazaré. No início do ano seguinte (1774), a imagem foi enviada a Portugal, onde foi submetida a uma completa restauração. O seu retorno ocorreu em outubro desse mesmo ano, tendo a imagem sido transportada, do porto até ao santuário, pelos fiéis em romaria, acompanhada pelo Governador, pelo Bispo e pelas demais autoridades, civis e eclesiásticas, escoltadas pela tropa. Este foi considerado o primeiro Círio, que etimologicamente designa uma vela grande de cera. Desde então, o Círio de Nazaré é realizado anualmente, no segundo domingo do mês de Outubro. Entre os milagres mais expressivos atribuídos à imagem de Belém, encontra-se o que envolveu os passageiros do brigue português São João Batista. Partindo de Belém rumo a Lisboa, no dia 11 de Julho de 1846, a embarcação de dois mastros à vela veio a naufragar decorridos poucos dias da partida, sendo os passageiros salvos por um bote que os conduziu de volta a Belém. Este brigue seria a mesma embarcação que, anos antes (1774), havia transportado a imagem de Nossa Senhora de Nazaré a Lisboa, para ser restaurada; o bote que salvou os náufragos também seria o mesmo que tinha levado a imagem até ao brigue ancorado no porto de Belém. O bote passou a acompanhar a procissão a partir do ano de 1885. Apesar de o Círio de Nazaré de Belém (PA) ser o mais conhecido no Brasil, o Círio mais antigo do Brasil data de 8 de setembro 1630 na cidade de Saquarema no Estado do Rio de Janeiro. Após noite tempestuosa a miraculosa imagem de Nossa Senhora de Nazareth foi encontrada por pescadores nos penedos que separa o mar da lagoa onde hoje se encontra a Igreja Matriz. Segundo a lenda, a imagem sempre retornava aos penedos onde foi encontrada, e por este motivo, os religiosos da época acreditando ser um sinal dos céus, resolveram dar início a construção de primeiramente uma capela, que mais tarde deu lugar ao templo atual. O Reconhecimento do Círio de Saquarema como o mais antigo do Brasil se deu com a visita da imagem peregrina de Belém (PA) em 23 de setembro de 2009.
Os símbolos
O Círio tem vários objetos simbólicos que podem ser apreciados durante o seu trajeto. Os principais são:
- A berlinda, que leva a imagem da Santa;
- A corda, que sustenta a fé na padroeira dos paraenses, possui a média de 400 metros de comprimento e pesa aproximadamente 700 quilos, de puro sisal torcido, que requer maior sacrifício físico e emocional. Incorporada à celebração em 1868, originalmente substituía a junta de bois que até então puxava a berlinda da imagem; posteriormente passou a ser utilizada para separar a berlinda e o carro dos milagres da multidão que a acompanha. No ano de 2005 a direção do Círio, modificou o formato da corda, que ao invés de contornar a berlinda como normalmente era feito, a corda ainda do mesmo tamanho, veio na forma de um rosário, na tentativa de que não ocorressem atrasos no traslado, como já havia ocorrido anos antes.
- O manto é mais um dos símbolos da Festa de Nazaré. A cada procissão, há sempre um novo manto envolvendo a figura de Nossa Senhora. O manto tem sempre uma conotação mística, relatando partes do evangelho. Confeccionado com material caro e importado. O trabalho da confecção do manto iniciou-se pelas filhas de Maria. Anos depois, assumindo a confecção do mesmo, a irmã Alexandra, da Congregação das Filhas de Sant’Ana. Com a sua morte, a confecção do manto ficou por conta de uma ex-aluna do Colégio Gentil Bittencourt, que por 19 anos o teceu, e de suas mãos saíram os mais belos mantos. A confecção do manto é toda envolvida em clima de mistério, feitas com a ajuda de doações, quase sempre anônimas.
- As velas, ou círios, são feitas de cera, em vários formatos, retratando partes do corpo humano, ou ainda, uma vara de cera da mesma altura do pagador da promessa. As velas, são um símbolo da fé dos promesseiros, que através delas, 'pagam' a uma graça alcançada.
- Os carros de promessas ou dos milagres, que recolhem os ex-votos ilustrativos das graças alcançadas pelos fiéis;
- As crianças, tradicionalmente vestidas de anjos;
- As homenagens de fogos de artifício, queimados durante a passagem da imagem pelas ruas do centro histórico de Belém.
Outros símbolos também integram a tradição:
- As novenas, ciclos de orações realizadas durante as semanas que antecedem a festividade, por devotos que realizam pequenas romarias pelas casas de vizinhos.
- Os cartazes oficiais anunciando a festividade.
- O almoço com a família, realizado no domingo da procissão, como um ato de comunhão. Tradicionalmente é composto de:
- Pato no tucupi, tradicional prato da culinária paraense, acompanhado de arroz branco.
- Maniçoba, também tradicional item da culinária da região.
- O arraial no largo de Nazaré, em frente à Basílica.
- os brinquedos de miriti.
Datas e quantidade de pessoas
A procissão do Círio acontece a cada segundo domingo de Outubro, sua data portanto é móvel. A seguir a numeração ordinal dos Círios de Nazaré, as suas datas, e a quantidade aproximada de pessoas que participaram.
- 219° - 9 de outurbo de 2011 : esperasse mais de 2 milhoes e 500 mil pessoas com duração de aproximadamente de 5h30 a 6h.
- 218° - 10 de outubro de 2010 : 2 milhões e 250 mil pessoas, durou 6 horas
- 217° - 11 de outubro de 2009 : 2 milhões e 200 mil pessoas, durou 7 horas
- 216° - 12 de outubro de 2008: 2 milhões de pessoas, durou 7 horas
- 215° - 14 de outubro de 2007: 2 milhões e 700 mil pessoas, durou 7 horas
- 214º - 8 de outubro de 2006: 2 milhões e 250 mil pessoas, durou 5 horas e meia
- 213º - 9 de outubro de 2005: 2 milhões de pessoas, durou 5 horas(devido a um incendio,o trajeto foi encurtado e esse Cirio virou o mais rapído da historia.)
- 212º - 10 de outubro de 2004: 1 milhão e 700 mil pessoas, durou mais de 9 horas (o mais longo da historia e o ultimo a usar a corda em formato de "U",passando a ter 5 estações,como o rosario catolico.)
- ...
- 1º - 8 de setembro de 1793 (quarta-feira)
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Amigos por algum tempo
Por culpa sua talvez, ou deles; por culpa de interesses outros, eles foram fazendo novas amizades e enturmando-se com outros e outras. Esqueceram você. Mas a verdade é que você também os esqueceu.
Pararam de mandar e-mails, de telefonar, se querer se ver e alguma coisa foi esfriando. Restou o carinho. Você é grato por aqueles encontros, mas já não se vê procurando-os nem eles ou elas a você.
Ponha esta experiência na conta das circunstâncias. Família nova, trabalhos, outros interesses, pessoas novas entraram nas suas vidas e o que durou alguns anos ainda existe, mas não com a mesma intensidade. Quando se encontrarem será maravilhoso, anotarão telefones e endereços, prometerão novos encontros, mas ficará tudo por isso mesmo, porque distância, tempo e afazeres às vezes separam amigos até então inseparáveis.
Filosofemos um pouco... O efêmero faz parte da vida. Poucas amizades se mantêm as mesmas pela vida afora. A maioria sofrerá distanciamentos e reajustes. Se você tem algum amigo, uma amiga ou alguém especial que há mais de quinze anos o procura e gosta de ser procurado para mais uma rodada de conversas, risos e correção de dados, agradeça a Deus por este alguém. Ele atravessou os tempos com você. E isso é coisa rara e dom do céu! Amigos são como anjos daqui: estão por perto mesmo que não os notemos, trazem sempre uma nova mensagem, ou atualizam a de sempre cada vez que os encontramos... Mas são humanos e, por isso, são anjos que vão e que vêm... Adote os dois tipos: os que ficaram e o que foram sem de fato ter ido!
Pe. zezinho, scj
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
.: Arquidiocese de Belém - Paróquias
.: Arquidiocese de Belém - Paróquias: Dom Teodoro participade de encontro em que o Papa recebe bispos recém-nomeados em Castel Gandolfo
terça-feira, 20 de setembro de 2011
.: Paulinas Educação
.: Paulinas Educação: Ícone da educação, Paulo Freire completaria 90 anos nesta segunda 19 de setembro de 2011
.: Paulinas Família
.: Paulinas Família: O Papa aos namorados: "Não tenham medo do matrimônio fiel e indissolúvel."
QUANDO SE OLHA PRA JESUS...
Dannecker, escultor alemão, levou oito anos para produzir uma obra da face de Cristo. Todos os que observavam o trabalho, podiam perceber na escultura, o amor do Salvador e o sofrimento pelas lutas travadas em sua passagem por este mundo.
Logo a seguir, o artista foi convidado a empregar seu enorme talento em uma estátua de Vênus.
Como resposta ao convite, ele disse:
Como resposta ao convite, ele disse:
- "Após contemplar, por longo tempo, a face de Cristo, poderia eu virar minhas atenções para uma deusa pagã?"
Poderíam nós jovens, após experimentarmos uma vida transformada pelo amor do Senhor Jesus, desejar retornar aos prazeres enganosos do mundo?
Seria possível que voltássemos a viver de forma vazia e sem atrativos, caminhando por sendas que a nenhum lugar levam?
Haveria algum prazer na troca do certo pelo incerto, do belo pelo feio, da alegria pela tristeza, da salvação pela perdição?
Estamos esculpindo, dia após dia, o nosso porvir. A cada passo percebemos se a obra produzida está melhor ou pior. Às vezes precisamos refazer tudo e começar novamente o trabalho.
Mas, quando o Senhor entra em nossos corações, nossos passos se tornam mais firmes, mais seguros, mais atraentes, mais prazerosos, mais estimulantes.
A obra se torna mais fácil de esculpir, os retoques se tornam menores, a satisfação sentida é bem maior, seguimos em frente sabendo que ao final, contemplaremos com muita alegria o nosso sucesso, a nossa grande bênção.
Quando olhamos para Jesus, nossa fé é fortalecida, nossas esperanças são renovadas, nossas dúvidas são sanadas, nossos anseios são satisfeitos. Nele somos felizes, somos completados.
Você ainda busca encontrar a razão de sua vida? Olhe para o Senhor, pare um pouco o que está fazendo e contemple a face de Jesus por alguns instantes, e se possível todos os dias, e sua procura estará encerrada.
Jovem, essa é a melhor coisa que podemos te oferecer para toda a sua vida: JESUS CRISTO. Não existe nada melhor, mais duradouro, mais confiável do que o Amor de Jesus por você. Acredite nisso!
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Faça sua opção. Dê uma chance a você mesmo. Se dê uma oportunidade de melhorar e de ser feliz. Você merece!
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E aí, quando você O conhecer mais profundamente, não aceitará mais substituí-lo pelas futilidades desse mundo, nem por nada que possam te oferecer de diferente Dele, pois terás conhecido o verdadeiro Amor. E esse é insubstituível!
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quinta-feira, 15 de setembro de 2011
.: Santo do Dia
.: Santo do Dia: 15 de setembro Antonio (Anton) Maria Schwartz Anton, para nós Antonio,
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
A fé como produto
Pe. Zezinho, scj
Religião deveria ser ágape e não fast food! A vida não deveria ser fast food. Para a pressa dos nossos dias inventaram igrejas com milagres e curas garantidas, rápidas e com dia e hora marcados. Os fiéis vão lá onde se fala o que desejam ouvir, se faz o que desejam ver e aceitam pagar por isso porque é religião que enche os olhos.
Vitrais, imagens e paredes em catequese visual não lhes dizem muita coisa. O que os convence é o gesto dramático do irmão cheio de poder que derruba um demônio, faz um coxo andar e um mudo falar. Estes sinais os convencem. O sinal da cruz, uma cruz na parede, uma pintura de Jesus perdoando nada lhes diz. A fé dramática encanta mais do que a fé kerigmática.
Mas quem vai dizer isso às massas que, no dizer de Jean Baubrillard no seu livro sobre o fim do social e o surgimento das massas (Á Sombra das Maiorias Silenciosas) e de Zygmunt Bauman no seu livro sobre a transformação das pessoas em mercadoria ( Vida Para Consumo) falma da perda de sentido e de referências e da compra e da venda de mensagens num mundo habitado por consumidores que descobriram também a religião de consumo. Numa esquina compram em dois minutos uma refeição já pronta e à sua espera, numa outra entram numa igreja e em poucos minutos presenciam um milagre ou uma expulsão de demônios. É a fé urgente a serviço da vida urgente.
Pregadores urgentes detectam em poucos minutos um anjo ou um demônio e acham uma resposta urgente garantindo que aquela resposta mudará a vida do fiel que adquirir aquela mensagem ou ir lá ouvir aquela pregação.
Criamos um mundo imediato de sapatos, roupas e comida prontos. Basta experimentar e pagar. O mundo ficou bem mais fácil. Como não poderia ser diferente alguém descobriu a religião com resposta rápida e garantida sem que voe precise aprender catecismo ou ler a Bíblia. Peque aquele trecho e pague os que o oferecem a você quando você precisar. Pronto! Problema resolvido. Semana que vem terá mais uma rodada de curas e milagres. Tiraram a decisão das mãos de Deus. Eles urgem com Deus, exortam e arrancam o milagre com suas preces intensas. Até publicam livros e panfletos de orações poderosas e infalíveis.
Ao fiel que entende que a vida e a fé não funcionam desta forma respondem que ele não tem fé, porque a Deus nada é impossível e para quem crê não existem barreiras.
E não faltam os palestristas que classificam a fé como produto. O fiel tem uma necessidade e o pregador tem uma resposta e uma solução, Vai ao livro ou conta uma história que anima o fiel a esperar pelo milagre.
Uma coisa porém é vender objetos que ajudem a estudar melhor e aprofundar a nossa fé e outra garantir que aquele objeto perfumado ou trazido de Roma ou de Jerusalém e aquele óleo com gotas de óleo da Terra Santa tem mais chance de faze ro milagre acontecer!
Perguntei a uma senhora jovem que falava das maravilhas do rosário perfumado que trouxera de Jerusalém, que diferença havia entre manipular aquelas contas e as de outro rosário brasileiro. A resposta dela foi digna de um livro de Bauman ou de Baudrillard. Disse que o que valia não era o sentido, mas o sentimento. Este, sim é a única coisa verdadeira da vida! Pedi licença e revidei dizendo que o rapaz que diante da multidão acabara de matar a namorada refém, se governara pelo seu sentimento e não pelo sentido do seu ato!
Ela perguntou onde eu estudara!... Nos mesmos livros que seu pregador preferido também estudara! Mas optei por anunciar uma fé que não tem respostas tão urgentes nem tão mercadológicas.
A dimensão mercadológica da fé assusta! Olhe as obras, ouça os apelos, calcule o rio de dinheiro que passa pelas igrejas, pergunte aonde vai tudo isso e depois reflita sobre o produto que ajuda a fé e sobre a fé que se vale do produto! O acento revelará a igreja e o pregador!
Religião deveria ser ágape e não fast food! A vida não deveria ser fast food. Para a pressa dos nossos dias inventaram igrejas com milagres e curas garantidas, rápidas e com dia e hora marcados. Os fiéis vão lá onde se fala o que desejam ouvir, se faz o que desejam ver e aceitam pagar por isso porque é religião que enche os olhos.
Vitrais, imagens e paredes em catequese visual não lhes dizem muita coisa. O que os convence é o gesto dramático do irmão cheio de poder que derruba um demônio, faz um coxo andar e um mudo falar. Estes sinais os convencem. O sinal da cruz, uma cruz na parede, uma pintura de Jesus perdoando nada lhes diz. A fé dramática encanta mais do que a fé kerigmática.
Mas quem vai dizer isso às massas que, no dizer de Jean Baubrillard no seu livro sobre o fim do social e o surgimento das massas (Á Sombra das Maiorias Silenciosas) e de Zygmunt Bauman no seu livro sobre a transformação das pessoas em mercadoria ( Vida Para Consumo) falma da perda de sentido e de referências e da compra e da venda de mensagens num mundo habitado por consumidores que descobriram também a religião de consumo. Numa esquina compram em dois minutos uma refeição já pronta e à sua espera, numa outra entram numa igreja e em poucos minutos presenciam um milagre ou uma expulsão de demônios. É a fé urgente a serviço da vida urgente.
Pregadores urgentes detectam em poucos minutos um anjo ou um demônio e acham uma resposta urgente garantindo que aquela resposta mudará a vida do fiel que adquirir aquela mensagem ou ir lá ouvir aquela pregação.
Criamos um mundo imediato de sapatos, roupas e comida prontos. Basta experimentar e pagar. O mundo ficou bem mais fácil. Como não poderia ser diferente alguém descobriu a religião com resposta rápida e garantida sem que voe precise aprender catecismo ou ler a Bíblia. Peque aquele trecho e pague os que o oferecem a você quando você precisar. Pronto! Problema resolvido. Semana que vem terá mais uma rodada de curas e milagres. Tiraram a decisão das mãos de Deus. Eles urgem com Deus, exortam e arrancam o milagre com suas preces intensas. Até publicam livros e panfletos de orações poderosas e infalíveis.
Ao fiel que entende que a vida e a fé não funcionam desta forma respondem que ele não tem fé, porque a Deus nada é impossível e para quem crê não existem barreiras.
E não faltam os palestristas que classificam a fé como produto. O fiel tem uma necessidade e o pregador tem uma resposta e uma solução, Vai ao livro ou conta uma história que anima o fiel a esperar pelo milagre.
Uma coisa porém é vender objetos que ajudem a estudar melhor e aprofundar a nossa fé e outra garantir que aquele objeto perfumado ou trazido de Roma ou de Jerusalém e aquele óleo com gotas de óleo da Terra Santa tem mais chance de faze ro milagre acontecer!
Perguntei a uma senhora jovem que falava das maravilhas do rosário perfumado que trouxera de Jerusalém, que diferença havia entre manipular aquelas contas e as de outro rosário brasileiro. A resposta dela foi digna de um livro de Bauman ou de Baudrillard. Disse que o que valia não era o sentido, mas o sentimento. Este, sim é a única coisa verdadeira da vida! Pedi licença e revidei dizendo que o rapaz que diante da multidão acabara de matar a namorada refém, se governara pelo seu sentimento e não pelo sentido do seu ato!
Ela perguntou onde eu estudara!... Nos mesmos livros que seu pregador preferido também estudara! Mas optei por anunciar uma fé que não tem respostas tão urgentes nem tão mercadológicas.
A dimensão mercadológica da fé assusta! Olhe as obras, ouça os apelos, calcule o rio de dinheiro que passa pelas igrejas, pergunte aonde vai tudo isso e depois reflita sobre o produto que ajuda a fé e sobre a fé que se vale do produto! O acento revelará a igreja e o pregador!
www.padrezezinhoscj.com
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